Entre 24 de setembro e 9 de outubro, 34 fãs responderam ao Censo de Acessibilidade ARMY Inclusivo, e 25 delas têm deficiência ou alguma necessidade específica de acessibilidade. O censo foi realizado pelo Instituto Entre Rodas em parceria com o Movimento Army Power (MAP), com um objetivo simples: saber quem precisa de quais recursos para ir aos shows do BTS no MorumBis, em 28, 30 e 31 de outubro, e levar essas informações a quem pode agir.
Neste texto, contamos o que as respostas mostraram, o que fizemos com elas e onde você pode baixar os documentos completos.
O que as respostas mostraram
A necessidade mais citada foi poder sentar: 13 das 25 pessoas com necessidade de acessibilidade (52%) não conseguem ficar em pé por muito tempo nem sentar no chão. Isso muda a forma de pensar a acessibilidade em um show, que costuma ser associada apenas ao uso de cadeira de rodas.
- Demanda real: 80% dessas pessoas já têm ingresso. Não é uma hipótese, é público confirmado.
- Deficiências que não se veem: predominam a mobilidade reduzida e as condições não visíveis. A fibromialgia, reconhecida como deficiência pela Lei nº 15.176/2025, aparece em 28% dos relatos.
- Um público mais diverso do que se imagina: 47% das pessoas têm 40 anos ou mais, e 65% vêm de fora do estado de São Paulo.
- O caminho até o estádio: filas longas, escadas, multidão, banheiros acessíveis e o trajeto até o portão estão entre as maiores preocupações.
- Exclusão que já aconteceu: duas pessoas com deficiência desistiram de ir aos shows por falta de acessibilidade e de informação.
O censo não mede quantas pessoas com deficiência estarão no estádio. Ele mostra como é essa demanda. Para ter uma ideia da escala, aplicamos a prevalência de deficiência do Censo 2022 do IBGE (7,3%) ao público esperado: são de cerca de 1.200 a 5.100 pessoas com deficiência por noite, conforme o cenário.
Direitos humanos e desenho universal
Participar da vida cultural é um direito humano, garantido pelo art. 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que no Brasil tem status de emenda constitucional, transforma esse direito em obrigações concretas. A Lei Brasileira de Inclusão determina que o desenho universal seja a regra, tendo a norma ABNT NBR 9050 como referência técnica.
Por isso, analisamos os dados a partir dos sete princípios do desenho universal. Com esse olhar, a pergunta deixa de ser quantas pessoas com deficiência vão ao show e passa a ser se o evento funciona para qualquer pessoa que vá. Uma fila com assentos, uma rota sem degraus e uma sinalização clara servem a quem tem deficiência, a gestantes, a pessoas idosas e a quem está com uma lesão temporária, tudo ao mesmo tempo.
O que fizemos e o que vem agora
Com as respostas, elaboramos três documentos e os encaminhamos à Live Nation Brasil, produtora dos shows, com propostas para o acesso ao estádio, a fila prioritária e as áreas reservadas ao público PCD. Todos os dados são agregados e anonimizados, em conformidade com a LGPD.
Neste momento, estamos nos articulando com a produtora e com outros órgãos para reunir informações que deem mais segurança às pessoas com deficiência e outras necessidades específicas que vão aos shows, da chegada ao estádio até a saída. Assim que tivermos informações confirmadas, publicaremos aqui e em nossas redes.
Baixe os documentos
Os três documentos estão disponíveis em PDF. Se tiver pouco tempo, comece pelo resumo técnico.
Documento | O que traz | Páginas | Download |
Resumo técnico | Os principais números, achados e propostas | 1 | |
Dossiê técnico | A análise completa do censo, o referencial de direitos humanos e desenho universal e as propostas | 22 | |
Adendo: acesso ao MorumBis | O caminho até o estádio: chegada, desembarque, transporte coletivo, fila prioritária e saída | 9 |
Obrigada
A cada pessoa que respondeu ao censo: sem vocês, nada disso seria possível. Cada resposta virou argumento para que os shows funcionem para todas as pessoas.
Realização: Instituto Entre Rodas, em parceria com o Movimento Army Power (MAP).
